terça-feira, 11 de março de 2008

É um prato de confecção simples e que acho muito saboroso. Fiz a cozedura do arroz com a água do pato, enriquecendo o sabor.

A água de cozer o pato seguiu os preceitos de preparar um caldo de aves.

A minha mãe costuma apurar o pato desfiado numa frigideira com um fio de azeite com alho mas saltei esse passo, para evitar mais gorduras.

Preparação:

Para o caldo de cozer o pato:

4 litros de água
1 cebola média
1 cenoura média
Meio alho francês (inclui as folhas verdes)
1 folha de louro
5 grãos de pimenta, esmagados
1 golpe de vinagre
1 golpe de molho de soja
2 colheres de chá de sal
1 pato grande (2 a 3 quilos)

Junte todos os ingredientes numa grande panela, e adicione o pato, já desmembrado. Levante fervura e retire as impurezas superficiais com a escumadeira. Deixe cozer lentamente em lume brando durante hora e meia. Retire o pato e desfie a carne enquanto coze o arroz.

Para o arroz:

400 gramas de arroz
Água q.b. da cozedura do pato (3 vezes o volume do arroz será adequado)
Meio chouriço.

Ponha o arroz num tacho, utilizando um copo graduado. Adicione agora a água da cozedura do pato. Encha o copo medidor e descarte o máximo de gordura superficial. Junte ao arroz e deixe cozer.

Aqueça o forno a 180º/200º. Num pirex ou recipiente de ir ao forno, deite metade do arroz. Sobreponha o pato desfiado, e espalhe o restante arroz por cima, tapando o pato. Corte o chouriço em rodelas grossas e disponha no arroz. Pode juntar uma concha de água da cozedura se o arroz lhe parecer seco.

Leve ao forno a alourar. Sirva com uma salada de alfaces e tomate cereja, temperados com sal, azeite, vinagre, e orégãos.

Não deite fora a água sobrante nem os ossos. Servirão para uma bela sopa.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008


Já há uma receita de cogumelos recheados neste blog (aliás, é precisamente a primeira), mas como esta é diferente pareceu-me interessante colocá-la aqui. Fi-la porque este fim-de-semana encontrei uns cogumelos portobello à venda com muito bom aspecto e resolvi levá-los. O recheio foi inventado na hora com base no que tinha em casa - e curiosamente ficou com um ar bastante 'italiano'. Não foi propositado, mas de facto uma mistura de tomate, cebola, chouriço, cogumelos e parmesão ralado serviria perfeitamente para uma bela pizza!...


Ingredientes (2 pessoas):
4 cogumelos portobello
1 cebola
1 tomate
1/4 de chouriço
queijo parmesão
mistura de ervas italianas (opcional)
azeite
sal
pimenta


Preparação:
Como sempre, comece por preparar os ingredientes: limpe bem os cogumelos (eu aqui sigo uma indicação dada pelo Avental do Gourmet e limpo os cogumelos a seco, sem os passar por água, para evitar que a absorvam e percam o seu sabor), retire-lhes o pé com cuidado e reserve. Pique a cebola, o tomate e o quarto de chouriço, e misture-os numa taça, juntando os pés dos cogumelos, também picados. Aproveite também para ralar o parmesão (pode também comprá-lo já ralado, mas como dizia um conhecido meu, o queijo parmesão quer-se é ralado na hora...).

Leve uma frigideira grill a lume forte e coloque-lhe os quatro cogumelos, com a copa para baixo. Deixe-os grelhar durante algum tempo e vire-os, deixando mais algum tempo. Não os queime, a ideia é só deixar grelhar um pouco. De seguida, retire e reserve.

Coloque um pouco de azeite na mesma frigideira grill, e deite-lhe a mistura de cebola, tomate, chouriço e cogumelos. Tempere com sal e pimenta a gosto (pessoalmente prefiro contenção no sal e generosidade na pimenta) e deixe cozinhar uns minutos. Quando estiver pronto, coloque os cogumelos com a copa para baixo num recipiente de ir ao forno e deite-lhes o recheio por cima. Nesta altura, como tinha uma mistura de ervas italianas à mão, polvilhei os cogumelos com as ervas, o que ajudou ainda mais a dar-lhes o tal toque 'italiano' - se tiver ervas desse tipo à mão, experimente!

Finalmente, coloque uma porção generosa de parmesão ralado por cima e leve ao forno a gratinar. Sirva imediatamente!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Fiz pela primeira vez esta sobremesa rapidíssima. Juntamente com o bolo de chocolate em 5 minutos, é uma sobremesa de última hora. Aprendi a receita num workshop no Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, e resolvi experimentar em casa. Ficou quase bom – o pudim é saboroso mas ficou feinho, coitado…

A culpa é minha, que acabei por lhe dar demasiado tempo de microondas (ao fim dos 4 minutos deixei por mais 2…) o que lhe deu este aspecto espapaçado e esburacado. Depois, a gula fez com que o servisse demasiado depressa, quando devia ter ficado a esfriar um pouco.

Receita mais simples é difícil.

Ingredientes:

3 ovos grandes
250 ml de leite meio gordo ou gordo
3 colheres de sopa de açúcar
Algumas gotas de extracto de baunilha (opcional)

Caramelo líquido q.b.

Preparação:

Bata um pouco os 3 ovos com o açúcar. Junte o leite e as gotas de extracto de baunilha, se gostar. Deite o caramelo líquido no fundo de uma forma e verta a mistura por cima. Leve ao microondas por 4 minutos na potência máxima. Sirva frio.

Se ao fim dos 4 minutos ficar ainda um pouco líquido, avance mais 40 segundos ou 1 minuto. Mais tempo e o pudim começa a ferver, deixando grandes buracos de vapor como se vê na imagem.

Eu não tinha extracto de baunilha, mas tinha vagem de baunilha, pelo que cortei um pouco e deitei as sementes de baunilha no pudim – são os pontinhos negros na imagem. Sabe bem melhor que os pudim flan artificiais, e é mais rápido. Recomendo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Por vezes peço uma posta de salmão com 15 cms de espessura. As peixeiras não gostam muito porque têm de ir buscar um salmão inteiro ou quase para me darem a minha posta de 15 cms, mas ganho 2 coisas: uma excelente posta para fazer lombos de salmão e peixe mais fresco.

Chegado a casa é tempo de abrir a posta ao meio para ficar com 2 grandes lombos, ainda com espinhas e pele. Escamo muito bem a pele com uma faca e tempero com limão ou lima, e preparo-me para iniciar a receita. É uma receita com um pequeno truque, em que primeiro levo o salmão a grelhar numa frigideira e depois vai ao forno para acabar de cozinhar. Retém melhor os sucos do peixe (detesto salmão cozinhado em excesso – fica seco) e sendo um lombo grosso fica bem passado por dentro.

Preparação

Corte batatas em cubos. Lave os bróculos. Leve a cozer em água com sal.

Escame os lombos de salmão e leve ao lume numa frigideira com um fio de azeite, e temperado com sal. É uma posta pesada – vá abanando a frigideira com frequência para garantir que não se está a pegar. Quando repassar mais de 1 dedo de altura, vire a posta. Ligue a grelha do forno.

Para uma posta de 3 dedos de altura, deve ter agora um dedo de salmão cru no centro. Leve à grelha do forno, por uns minutos, num prato de barro ou numa frigideira própria, enquanto finaliza as batatas.

Corte a Vaqueiro em cubos e aqueça num wok. Despeje por cima as batatas e os bróculos, devidamente escorridos de água. Deixe as batatas alourar ligeiramente no pecado da gordura saborosa.

Espreite o salmão – ligeiramente tostado por cima, e já todo cozinhado – e retire-o do forno.

Sirva deitando 2 golpes de molho de soja sobre o peixe, e regando generosamente com sumo de meia lima por cada prato. Perfume com raspas de um grão de noz-moscada.

Peixe suculento, com aromas orientais da lima, noz-moscada e molho de soja, que se desfaz em lascas quando pressionado com um garfo - saboroso.



Ingredientes:

1 lombo de salmão (na verdade, meia posta de 15 cms);
400 g de batatas
150 g de bróculos
70 g de Vaqueiro
2 a 3 limas
Sal
Azeite
Molho de soja
Noz-moscada em grão

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Hoje é dia 15 de Janeiro, o que significa que o Cozinha com Tomates faz anos. Começámos há precisamente um ano atrás, com uns cogumelos recheados - parece por isso apropriado que hoje, 60 receitas depois, haja sopa de cogumelos!...).

Obrigado a todos os que por cá vão passando com maior ou menor regularidade - tem sido uma bela experiência. A continuar, obviamente. :)
Inspirado noutra sopa de cogumelos, fiz uma versão mais leve (sem natas) e com mais sabores da terra: castanhas e batatas. Tornou-se assim uma sopa que nos lembra o inverno e este tempo chuvoso.

Para rematar a apresentação, substituí as natas batidas com cerefólio, cebolinho e coentros por apenas queijo da ilha, ralado.

A sopa fica menos aveludada e adocicada (trocar natas por batatas não podia ser neutro, não é?) mas é mais simples de preparar, tornando-se viável como sopa para o dia-a-dia, e muito mais light.

Preparação:

Lave muito bem os cogumelos, um a um. Enxugue-os com um pano e vá fatiando os cogumelos enquanto aquece o azeite numa panela larga e grande. Com o azeite quente, junte-lhe as chalotas (ou a cebola grande) picadas e deixe cozinhar brandamente por uns minutos, sem deixar queimar nada. Junte os cogumelos e salpique-os de sal. Vão parecer demasiados cogumelos mas não se preocupe – é mesmo assim. Levante o lume por 2 minutos para começar a sangrar a água dos cogumelos. Baixe o lume e tape. Mexa ocasionalmente. Verá que os cogumelos encolhem muito e ficam mais escuros.

Coza à parte as batatas, com alguma cenoura, alho francês, castanhas, pimenta, e sal, e meio cubo de caldo de legumes, se gostar de reforçar sabores.

Após uns 5 minutos esprema para a panela o sumo de limão, deixe reduzir um pouco, e junte o caldo de galinha, já quente. Levante fervura, e deixe em lume médio por 10 minutos, remexendo com a colher de pau. Junte as batatas e alguma água da sua cozedura e triture tudo com a varinha mágica. Triture muito bem, para eliminar qualquer granularidade da batata. Junte água da cozedura até que a sopa fique apenas levemente espessa.

Sirva com queijo da ilha, ralado. Para ralar bem o queijo da ilha convém que já tenha secado alguns dias no frigorífico.

Confesso que o sabor das castanhas pouco se notou. De uma próxima vez, irei usar castanhas assadas, para que tenham mais sabor. Por fim, não abuse do limão, que dá um travo ácido à sopa. Eu aprecio imenso, mas nem toda a gente gostou… :(

Para a sopa:

300 g de cogumelos
100 ml de azeite
2 chalotas (ou uma cebola média, picada finamente)
1 dente de alho, finamente fatiados
Sumo de meio limão
1 litro de caldo de legumes (água da cozedura das batatas com vários legumes)
1 dúzia de castanhas peladas
500 g de batatas
50 g de manteiga
Sal marinho q.b.
Pimenta q.b.

sábado, 5 de janeiro de 2008


A sopa Żurek (pronuncia-se 'Júrek') é um dos pratos mais populares da cozinha polaca. É uma sopa bastante completa, perfeita para os dias mais frios, e com um sabor único, graças ao kwas, que não é mais do que farinha de centeio deixada a azedar em água durante uns dias (não se assustem com a descrição - a sopa tem um ligeiro travo amargo, mas não é demasiado forte; na verdade o sabor é muito agradável - e reconfortante). Como qualquer bom prato tradicional, há tantas receitas de Żurek quantos os cozinheiros. A que se segue é a minha, feita a partir de várias que encontrei pela Internet. Saiu bastante bem - já nem foi preciso comer mais nada ao jantar.


Ingredientes (2 pessoas):

Para o kwas:
37,5g de farinha de centeio integral
300ml de água

Para a sopa:
625ml de água
1 cubo de caldo de legumes
200ml de kwas
1 salsicha fresca
1 ovo
cogumelos secos
1/4 de cebola grande
1 folha de louro
1 dente de alho
2 colheres de sopa farinha
sal
pimenta
manjerona seca (ou, em alternativa, orégãos)

Uma sopa Żurek tem de ser planeada com antecedência, devido ao kwas, que demora 5 dias a preparar. Na Polónia é possível comprar em qualquer supermercado garrafas de kwas já feito, mas em Portugal tem mesmo que ser preparado à moda antiga. Para tal, comece por ferver a água. De seguida, coloque a farinha de centeio num recipiente não metálico (uma caixa de plástico ou um boião de vidro servem bem). Deite-lhe só um pouco de água quente e misture até obter uma papa. Deite de seguida o resto da água, misture bem, tape o recipiente com um pano e guarde num local seco durante uns 5 dias. É normal que sinta um leve cheiro a azedo vindo do recipiente durante este tempo - o kwas serve para isso mesmo, para dar um travo amargo à sopa.

Passados os 5 dias é provável que se tenha formado algum bolor à superfície da água - retire-o com cuidado. Filtre de seguida o líquido por um passador para um novo recipiente, e o kwas estará pronto a usar.

Agora a sopa propriamente dita - comece por preparar os ingredientes: coloque uma mão-cheia de cogumelos secos numa taça com água a ferver e deixe-os absorver a água durante uns minutos (não deite fora a água!). Aproveite para picar a cebola e esmagar o dente de alho. Entretanto, ponha a cozer em água o ovo e a salsicha fresca (em tachos separados). Assim que o ovo estiver cozido, descasque-o e reserve. Quanto à salsicha, retire-a quando estiver cozida, corte-a em pedaços pequenos e reserve também.

Aqueça numa panela a água com o cubo de caldo de legumes. Deixe ferver e vá mexendo para desfazer o cubo. Assim que estiver desfeito, junte a cebola picada, a folha de louro partida em pedaços e a salsicha. Deixe ferver durante uns minutos.

De seguida, junte os cogumelos, deitando também um pouco da água onde os deixou de molho. Junte o kwas e o alho esmagado. Tempere nesta altura com sal e pimenta (prove para acertar o tempero). Entretanto, coloque as duas colheres de farinha numa taça pequena e desfaça-as num pouco de água. Junte à sopa, para engrossar. Deixe ferver mais uns minutos.

Para servir, comece por cortar o ovo cozido a meio e deite uma metade em cada um dos pratos. Sirva a sopa por cima e termine polvilhando com manjerona seca. Smacznego!
 
© 2012. Design by Main-Blogger - Blogger Template and Blogging Stuff