quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Já por duas vezes (aqui e aqui) falei do livro "The Accidental Vegetarian" de Simon Rimmer. E se volto terceira vez ao mesmo livro é porque este é verdadeiramente um excelente livro de cozinha vegetariana, que foge aos 'suspeitos do costume' quando se pensa neste tipo de cozinha (não há um único prato com seitan ou tofu, por exemplo) e ainda assim consegue ser original e muito apelativo.

Desta feita, experimentei os cannelonni de queijo de cabra e espinafres e foi uma aposta ganha - a utilização dos tomates-cereja assados no forno em substituição do típico molho de tomate torna o prato invulgar e resulta muito bem.

Dou a receita indicando um pacote de cannelonni, mas o ideal é fazê-los usando a nossa própria massa fresca (seguindo por exemplo as indicações desta receita).


Ingredientes (12 a 15 cannelonni):
500g de tomates-cereja
1 embalagem de cannelonni
200g de queijo ricotta
150g de queijo de cabra
150g de queijo parmesão ralado na hora
100g de folhas de espinafre
tomilho
vinagre balsâmico
2 dentes de alho
azeite
sal
pimenta preta
raspas de queijo parmesão


Preparação:
Corte os tomates em metades, deite-os num recipiente grande de ir ao forno, cubra com um fio generoso de azeite e leve por cerca de 10 minutos ao forno aquecido a 220º. Adicione o tomilho, um fio de vinagre balsâmico e os dois dentes de alho esmagados. Tempere com sal e pimenta e deixe mais cerca de um quarto de hora no forno. Retire e reduza o forno para 180º.

Enquanto o tomate assa, prepare o recheio, misturando num recipiente o queijo ricotta com o queijo de cabra, o parmesão ralado e as folhas de espinafre. Misture muito bem e tempere com sal e pimenta a seu gosto.

Quando os tomates estiverem prontos, retire-os do tabuleiro, mas deixando o líquido da assadura. Recheie os cannelonni e disponha-os no mesmo tabuleiro, para aproveitar o azeite da assadura. Distribua todos os cannelonni pelo tabuleiro e cubra com os tomates-cereja. Leve ao forno por mais cerca de quinze minutos ou até estarem prontos.

Cubra com as lascas de parmesão e sirva.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011


Já tive oportunidade noutras receitas de elogiar a versatilidade da panna cotta, uma receita simples mas que resulta sempre bem e que permite um número enorme de variações, seja ao acrescentar sabores diferentes às natas, seja ao variar a cobertura.


Há dias lembrei-me que uma combinação de panna cotta com o sabor fresco do melão era capaz de resultar bem. Ainda tentei inventar na cobertura, fervendo melão com açúcar para atingir uma consistência mais xaroposa, mas acabei por me render à solução mais simples - melão triturado, apenas com um pouco de lima a dar sabor. O resultado era o que eu esperava - uma sobremesa simples, mas fresca e saborosa, ideal para dias mais quentes (que ainda vamos tendo, apesar da proximidade do Outono).



Ingredientes:

500 ml de natas

75g de açúcar

3 folhas de gelatina

algumas folhas de hortelã

melão (usei cerca de 2 talhadas)

sumo e raspa de 1 lima



Preparação:

Deite as natas, o açúcar e a hortelã num tacho e leve a lume brando. Quando estiver quase a ferver, retire do lume. Ponha a tampa no tacho e deixe cerca de uma hora em infusão. Passado esse tempo faça passar as natas por um passador para outro recipiente.


Entretanto, coloque as folhas de gelatina de molho em água fria até amolecerem. Retire-as, escorrendo muito bem, e junte às natas até dissolverem completamente. Deite o preparado em formas individuais e leve ao frigorífico durante umas boas horas (o ideal é deixar de um dia para o outro).


Antes de servir, triture o melão num copo misturador e junte-lhe o suma da lima, mexendo bem. Deite sobre as formas individuais de panna cotta e polvilhe com a raspa da lima. Sirva bem fresco!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011



Já há algum tempo que não tínhamos um risotto por aqui e este é bom para o Verão - com ingredientes frescos, de inspiração mediterrânica, e simples de fazer. O queijo ajuda à cremosidade do arroz e o tomate dá-lhe um colorido e um sabor que valem por si.




Ingredientes:

200g de arroz para risotto

200g de tomates-cereja

100g de queijo feta

1 dente de alho

1 cebola pequena

1l de caldo de legumes

1 molho de folhas de manjericão

pimenta

azeite





Preparação:

Comece por picar o alho e a cebola, por cortar os tomates-cereja ao meio e o queijo feta em cubinhos. Em qualquer risotto, a preparação é essencial, visto que uma vez que comece a cozinhar, não vai poder largar o tacho, sob pena de o arroz começar a pegar ao fundo do tacho.



Comecemos, então: deite um fio de azeite no fundo do tacho e junte o alho e a cebola picados. Deixe refogar até a cebola amolecer e nessa altura junte os tomates-cereja. Deixe-os amolecer e vá esmagando-os com uma colher de pau contra as paredes do tacho, fazendo-os soltar o sumo, que se misturará ao refogado. Finalmente, deite o arroz e misture-o bem com o refogado, mexendo sempre com a colher e deixando-o absorver o líquido que se juntou no fundo do tacho. Junte agora uma colher de caldo de legumes e misture o arroz, sem parar, até que este absorva o caldo. Nessa altura, junte mais uma colher de caldo e repita, sempre da mesma forma - uma colher de caldo, mexer o arroz até absorver, mais uma colher de caldo, e por aí adiante. Quando estiver a meio do caldo, deite os cubos de queijo feta, que irão derreter, dando sabor ao risotto e tornando-o ainda mais cremoso. Junte também as folhas de manjericão desfeitas em pedaços (guarde algumas para decoração). Vá juntando caldo, mexendo e cozinhando até o arroz estar al dente.



No final, sirva o risotto e polvilhe com pimenta preta moída na altura (não deverá necessitar de juntar sal, visto que o queijo feta já é suficientemente salgado). Decore com folhas de manjericão.

quinta-feira, 12 de maio de 2011


Quem acompanha este blog há mais tempo, saberá que eu adoro o queijo halloumi. Originário de Chipre, é um queijo cujo ponto de fusão é bastante alto, e por isso se presta bem a ser cozinhado (grelhado, frito, ...). Esta receita em particular é extremamente simples, mas funciona extremamente bem, principalmente como entrada para uma refeição de tempo quente, como o que faz agora. A gremolada (ou gremolata) é um condimento italiano, utilizado principalmente (mas não apenas) como acompanhamento do ossobuco alla milanese. É uma simples mistura de alho, salsa e limão (no meu caso também com hortelã), mas que fica bastante fresco e aromático - e combina na perfeição com o halloumi.


Ingredientes (2 pessoas):
250g de queijo halloumi
1 limão
1 molho de salsa
1 molho de hortelã
2 dentes de alho
azeite
pimenta


Preparação:
Raspe a casca do limão (apenas o zesto - a parte amarela; não raspe a parte branca que fica por baixo) para uma taça pequena. Esprema metade do limão para a mesma taça. Pegue numa boa porção de salsa e pique muito bem. Faça o mesmo com uma boa porção de hortelã e junte ao limão. Finalmente, pique o alho bastante fino e junte também. Junte um fio de azeite, mexa bem e está pronta a gremolada.

Seguidamente, corte o halloumi em fatias (uma embalagem de 250g dá para umas 6 fatias, mais coisa menos coisa) e parta cada fatia com as mãos em pedaços irregulares. Leve uma frigideira grill ao lume até estar bem quente e deite-lhe os pedaços de halloumi. Polvilhe com um pouco de pimenta preta moída na altura, e vá mexendo com uma colher ou espátula de pau, até os pedaços de halloumi grelharem, ficando dourados nas suas várias faces.

Deite o halloumi para um prato ou travessa de servir e cubra com a gremolada. Sirva com o halloumi ainda quente (misturado com o fresco da gremolada fica óptimo!).

quarta-feira, 4 de maio de 2011


Apetecia-me fazer um bolo de morangos, nem sei bem porquê. Provavelmente por já estarmos na sua época e por ter alguns em casa que eram muito bons. O meu problema era não saber como queria fazer o bolo. A primeira ideia, um pouco esotérica, admito (mas que ainda hei-de tentar explorar) era fazer um bolo de morangos que tivesse manjericão (gosto da combinação de ambos), mas acabei por não ir por aí. Consultei o The Flavour Bible em busca de inspiração e vim de lá com duas ideias de sabores para juntar aos morangos - amêndoa e limão. A partir daí fiz algumas pesquisas e fui buscar um bolo de amêndoa e limão da Nigella e um fantástico molho de morangos assados no forno que encontrei no Eat The Love. Casei os dois e o resultado foi este bolo - se o original da Nigella já ficava 'molhadinho', este, com o recheio de morangos, fica ainda melhor.

Uma nota rápida, para terminar: é complicado cortar o bolo a meio porque ele não cresce muito (daí ter ficado quebrado por cima, como se vê na foto). Provavelmente usando duas formas ou fazendo mais quantidade tornar-se-á mais fácil.


Ingredientes:

Para o bolo:
225g de manteiga sem sal
200g de açúcar
225g de amêndoas em pó
50g de farinha sem fermento
4 ovos
raspa e sumo de dois limões
açúcar em pó (para decorar)


Para o molho de morangos:
900g de morangos
1/4 de chávena de açúcar amarelo
2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
2 colheres de sopa de vinho tinto
2 paus de canela
pimenta preta
extracto de baunilha


Preparação:
Comece pelo molho de morangos. Ligue o forno a 135º. Lave as morangos, retire o pé, e corte-os em quartos. Deite-os numa taça grande, junte umas gotas de extracto de baunilha, o açúcar, o balsâmico, o vinho e os paus de canela. Junte pimenta preta a gosto, triturada na altura. Mexa com cuidado (para não quebrar os morangos), até todos os ingredientes estarem bem misturados. Deite num recipiente de ir ao forno (forrado com papel vegetal) e deixe assar durante pelo menos 2 horas, mexendo de vez em quando, até o molho engrossar. Reserve.

Agora o bolo. Desta vez, aqueça o forno a 180º. Deixe amolecer a manteiga (ou use o microondas) e bata-a num recipiente grande com o açúcar, até começar a embranquecer. Junte um ovo e aproximadamente um quarto da farinha, batendo bem com a batedeira. Junte o segundo ovo e mais um quarto da farinha, batendo sempre, e repita até ter incorporado os quatro ovos e toda a farinha. Junte agora as amêndoas em pó e envolva no preparado (agora sem bater). Finalmente junte a raspa e o sumo dos limões e misture novamente (a Nigella junta essência de amêndoas, mas não me pareceu essencial para o resultado final).

Deite o preparado numa forma redonda e leve ao forno até estar pronto - no meu forno demorou cerca de 40 minutos. Quando um palito vier praticamente seco, é hora de retirar.

Deixe arrefecer, corte o bolo ao meio e retire com cuidado a parte de cima. Cubra a metade de baixo com o molho de morangos e volte a cobrir com a parte superior do bolo. Cubra com açúcar em pó.

domingo, 1 de maio de 2011

Sou pouco versado em receitas de Verão, mas faço kms para ir comer um bom peixe grelhado e uma salada bem feita. Adora que o Verão ameaçava começar decidi fazer algo que não fazia há anos, mas que é simples e associo sempre a Verão – guacamole. De origem mexicana, o guacamole tem inúmeras variantes, e a que faço é muito simples e fresca, e serve de acompanhamento a pratos como chili con carne, ou carnes grelhadas no carvão.

Para 6 pessoas:
2 peras abacate muito maduras
3 tomates pequenos (250 a 300 gramas)
3 a 4 colheres de sopa de ervas aromáticas picadas (salsa e coentros, e uma folha de hortelã)
3 colheres de sopa de pimentão cortado em brunoise
Molho piri-piri q.b.
Sumo de 1 lima
1 embalagem de tiras de milho
Sal e pimenta q.b.

Preparação:
Corte os abacates ao meio e retire o caroço. Remova a polpa com uma colher, sem danificar as cascas, que aproveitará para a apresentação. Esmague a polpa com uma mão, entre os dedos, até ficar com uma pasta suave mas com muitos grumos. Corte os tomates em brunoise (cubinhos pequenos) removendo as sementes. Junte os ingredientes a pouco e pouco à polpa de guacamole, afinando os sabores.
Sirva dentro das cascas de guacamole, e reserve alguns ingredientes como pimentão, ervas e fatias de lima para decorar o guacamole com cores vivas.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Para este ano, o dia 1 de Abril vê aqui um prato de cozinha asiática. Se não encontrar centopeias grandes, procure umas baratas, ou até mesmo grilos ou gafanhotos. No fundo, depois de grelhado com molho, sabe tudo ao mesmo. Se não encontrar insectos vivos - é sempre melhor - vá a uma loja da especialidade, e para quem vive na zona de Lisboa, isso significa ir ao Martim Moniz. Bom apetite (vai precisar...)!

Para 6 pessoas:

12 centopeias gigantes
2 colheres de sopa de molho hoisin (à venda no Martim Moniz)
2 colheres de sopa de molho de ostra (à venda no Martim Moniz)
2 colheres de sopa de vinho de arroz chinês (use um porto seco, se não encontrar)
4 colheres de sopa de molho de soja
2 colheres de chá de óleo de sésamo
2 dentes de alho, finamente picados
Pimenta q.b.

Preparação:

Misture todos os ingredientes excepto as centopeias e deixe repousar no frio por uma hora para fazer o tempero de grelhados chinês. Faça umas boas brasas de carvão. Lave as centopeias e insira o espeto pela boca. Regue generosamente com o tempero para grelhados e leve a grelhar em brasas bem quentes, virando uma vez - vai querer a carapaça bem passada e estaladiça, mas o interior da centopeia deve ficar húmido.

Sirva com arroz branco.
 
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